Tecnologia do YouTube em banners... que irritante !!!

Quando vi pela primeira vez um vídeo no YouTube e vi tanta gente que não conhece muita coisa de TI enviando vídeos e se tornando celebridade em instantes, logo imaginei que não ia demorar para algum espertinho usar a mesma coisa para dar "vida nova" aos irritantes banners existentes em diversos sites.

Me assustei hoje quando abri um determinado site (resultado de uma busca no Google e nem me lembro o endereço) e assim que a página foi carregada e fui logo para a parte de baixo dela onde estava a informação que precisava (mas vi que haviam alguns banners carregando na parte de cima).

De repente começa a tocar uma musiquinha infernal, com uma qualidade horrível. Eu imaginei que se tratava de alguma página pop-up que tinha sido aberta, mas não existia pop-up algum...

Antes de jogar o meu fone de ouvido pela janela, resolvi descobrir de onde vinha aquela coisa irritante e quando fui olhar no topo da página, tinha uma vídeo de uma propaganda, se não me engano de um carro, sendo reproduzido com as características do YouTube, mas sem botão de Stop !!!

Como eu precisava ler o texto que estava na parte de baixo da página, o jeito foi desligar o som da minha máquina, pois aquela "obra de arte" era bem demorada...

É o cúmulo da publicidade online, mas temo que ela se prolifere e a moda pegue... O terrível vai ocorrer o dia em que em um mesmo site estiverem duas "peças publicitárias" destas sendo exibidas ao mesmo tempo... vai ser uma barulheira só...

O pior é que os vídeos não devem ser lá muito pequenos e imagina que coisa linda: todo mundo pagando tarifa de tráfego de dados para receber propaganda não solicitada...

Você já viu um desse? Se sim, coloque o link nos comentários (vou colocar lá quando encontrar mais algum outro por aí)
Afinal, o que é ODF ?
Afinal, o que é ODF ?

Tenho lido muita coisa da "imprensa brasileira de Internet" sobre ODF e OpenXML nos últimos dias, e na grande maioria dos artigos utiliza argumentos e constatações absolutamente equivocadas, o que me motivou a escrever este post para esclarecer a base das coisas.

ODF é a sigla de Open Document Format (Formato Aberto de Documentos), e nada mais é do que uma especificação técnica e aberta sobre um formato para armazenamento de arquivos. Para o correto entendimento disso, preciso esclarecer alguns conceitos envolvidos.

O formato de armazenamento de arquivos nada mais é do que a forma pela qual as informações serão gravadas pelos computadores. Fazendo uma analogia extremamente simplista, nós ocidentais utilizamos algumas formas de armazenar (ou seja, escrever) números. Utilizamos comumente algarismos hindu-arábicos (1 2 3 4 5), mas em algumas ocasiões utilizamos algarismos romanos (I II III IV V) e só somos capazes de entender o seu significado pois os dois conjuntos de algarismos e suas regras de utilização são abertas e de conhecimento geral.

Portanto, se eu resolvesse utilizar números nos parágrafos deste post, poderia colocar 1. ou I. e todo leitor ia compreender o que eu estava querendo expressar.

Quando armazenamos dados em nossos computadores (ou seja, quando os softwares dos computadores armazenam os dados que lá colocamos) eles utilizam um formato para este armazenamento, que não necessariamente consiste em simplesmente gravar no disco aquilo que escrevemos (como uma sequência simples de letras e números). Isso é feito por diversos motivos, dos quais posso destacar as questões de segurança (criptografia), otimização de espaço ocupado (compactação de dados) e adequação a necessidades específicas de performance (velocidade de leitura e escrita).

O ponto importante sobre este armazenamento é o formato que é utilizado para ele. Se este formato for aberto, ou seja publicamente acessível, qualquer pessoa que necessite acesso (ex. leitura) ao conteúdo do arquivo precisa apenas do arquivo e do formato através do qual ele foi armazenado para poder efetuar a leitura. Se a pessoa possui o arquivo, mas não sabe o formato que foi utilizado para armazena-lo, certamente terá enormes dificuldades para acessar o seu conteúdo, existindo até a possibilidade de que o formato do arquivo jamais seja descoberto (e a informação contida nele está perdida para sempre).

Para ver isso na prática, basta copiar o conteúdo deste post colar o texto no notepad (o bloco de notas do Windows) e gravar o arquivo em uma pasta qualquer. Faça outra cópia do texto e cole no Word, e grave o novo arquivo (.DOC) na mesma pasta. Agora abra novamente o Notepad, arraste e solte o arquivo .DOC para dentro dele... viu a bagunça ? Isso ocorre pois o Notepad só sabe ler arquivos no formato TXT. Se o inverso for testado, ou seja arrastar o .TXT e soltá-lo dentro Word (solte sobre a barra de ferramentas dele) e você vai ver que o Word abre o TXT ? Como isso ocorre se os dois softwares utilizados são da mesma empresa ?

A resposta é bem simples. O formato TXT é um formato aberto e portanto qualquer desenvolvedor de software é capaz de ler o seu conteúdo e desenvolver um programa para a leitura, edição e escrita (isso explica o fato de existirem milhões de softwares editores TXT na Internet). Já o formato .DOC é de conhecimento exclusivo da Microsoft, portanto somente a empresa sabe como ler e escrever corretamente o arquivo (e o notepad não sabe, pois se soubesse, quem ia precisar do Word ?). Isso explica o motivo pelo qual somente o Word escreve e lê corretamente arquivos .DOC (existem outros softwares que fazem o mesmo, mas com menor grau de precisão pois como o formato é desconhecido, foi necessário um trabalho de engenharia reversa para poder acessar as informações mas este processo não foi capaz de identificar 100% das características dos arquivos).

Historicamente isso já foi um problema para a humanidade. Os egípcios deixaram grande parte de sua história contada através dos "desenhos" feitos em documentos e construções de sua época. Durante séculos aquilo tudo foi encarado como arte e as tentativas de descobrir seu significado foram infrutíferas, até que um dia foi encontrada uma pedra de granito em 1799, em Roseta (uma cidade próxima a Alexandria no Egito) que continha um texto escrito em três idiomas (ou se preferir formatos) diferentes: egípcio demótico, grego e em hieróglifos egípcios. Como o grego era bem conhecido, foi possível a identificação do significado dos hieróglifos (através de engenharia reversa) 24 anos após o descobrimento da pedra.

O risco que corremos hoje utilizando formatos fechados (ou proprietários) para o armazenamento de arquivos e documentos é exatamente o mesmo, com um agravante maior quando se fala em arquivos que contém informações públicas e históricas, tipicamente arquivos governamentais.

O ODF surgiu com o intuito de evitar que isso ocorra, tornando o formato de armazenamento aberto e utiliável gratuitamente por qualquer software de qualquer empresa que esteja realmente preocupada com a "longevidade" das informações geradas pela humanidade. Isso pode parcer um exagero, uma vez que imaginamos que as empresas que inventam seus próprios formatos serão eternas, como os egípcios imaginaram que a civilização deles seria e como o Império Romano imaginou que a Biblioteca de Alexandria seria (que se incendiou totalmente no ano 646, queimando aproximadamente 700.000 papiros com todo o conhecimento que a humanidade tinha até então).

Portanto, o ODF não é um padrão de uma empresa apenas e ao contrário é um padrão apoiado por diversas empresas das quais destaco Sun Microsystems, Corel, EDS, EMC, Oracle, Red Hat, Google, Novell e IBM (é extranho mas só falta um nome nessa lista, correto ? Qual será o motivo ?)

Se quiser mais informações sobre o tema, sugiro a consulta ao site www.odfalliance.com (ou apenas coloque sua pergunta com seu e-mail nos comentários que faço quesão de responder a cada uma pessoalmente).

Será que precisamos de hieróglifos e bibliotecas de Alexandria em pleno século XXI? É esse o legado que iremos deixar aos nosso netos (uma tonelada de documentos armazenados em sabe-se como)?
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