A verdade um dia aparece

Fiquei surpreso quando li hoje uma resposta dada por um especialista em OOXML da Microsoft (Doug Mahugh) sobre a "real necessidade" do OpenXML se tornar um padrão ISO.

A resposta foi dada na Malásia ontem, em um evento intitulado "Microsoft TechEd 2007", quando lhe foi perguntado:

"Porquê a Microsoft submeteu o OpenXML através do processo de Fast Track na ISO ao invés de utilizar o processo tradicional da entidade? Não haveria menor resistência do que a encontrada atualmente?"

A resposta dele foi:

"O Office é um gerador de US$ 10bi de receitas para a companhia. Quando o ODF se tornou um padrão ISO, a Microsoft precisou reagir rápido pois existem determinados governos que possuem políticas de compras que dão preferências a padrões ISO. Ecma e OASIS são padrões internacionais, mas a ISO é o padrão internacional de ouro. A Microsoft então precisou se apressar para ter este padrão. É uma simples questão de interesses comerciais."

A notícia completa pode ser lida aqui .

Doug Mahugh é o especialista em OpenXML que tem rodado o mundo todo apresentando o padrão OpenXML e realizando workshops e treinamentos sobre o tema.

A verdade um dia aparece.... sempre...
Resultados do FastTrack

Eu imaginava que a célebre frase "tá ruim mas tá bom" era exclusividade da cultura brasileira, mas após a leitura rápida do resultado oficial do FastTrack do OpenXML, mais precisamente dos comentários enviados com os votos eu percebi que a coisa não é tão exclusiva assim.

Confesso que fiquei assustado com a quantidade (e gravidade) dos comentários enviados por países que votaram sim e por isso, gostaria de propor ao JTC1 que inclua uma terceira opção de votação na sua cédula oficial: Tá ruim mas tá bom.

Para quem quiser entender melhor o que estou falando, dê uma olhada nos resultados disponíveis aqui.

Olhem ainda o documento J1N8726-27.doc incluso no pacote, para ver o que é um relatório técnico bem feito (e ter uma idéia clara de como esta votação foi baseada em argumentos técnicos aprofundados).

Vivendo e aprendendo...
ODF vira norma brasileira até o fim do ano
Segundo Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a previsão é que dentro de três meses a norma já esteja pronta.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
06 de setembro de 2007 - 09h49

O padrão Open Document Format (ODF), já formalizado internacionalmente pela ISO para planilhas e documentos no final do ano passado, também será oficializado como norma brasileira (NBR).

Segundo Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, diretor de Normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o trabalho de preparação está em andamento e a previsão é que dentro de três meses já esteja pronto para o lançamento no País.

A norma brasileira para ODF será inspirada na ISO/IEC 26.300. O padrão internacional propôs que, para abrir e usar arquivos de computador, os usuários não ficarão dependentes de um único produto.

O ODF atualmente é defendido por empresas e organizações como Red Hat, Novell, 4Linux, ODF Alliance, IBM, Sun Microsystems, Corel, entre outras. Apoiadores do padrão têm travado uma verdadeira batalha contra o OpenXML, idealizado pela Microsoft. Isso porque, alegam, quanto mais padrões existirem para um determinado tema, maior é a complexidade e o investimento desnecessário. “A Microsoft tem defendido o lema do: ‘quanto mais padrão melhor’, mas a história não tem mostrado que isso é bom. Quem tem dois padrões, na verdade não tem padrão nenhum”, comenta Jomar Silva, diretor do capítulo nacional da ODF Alliance.

“Costumo comparar com o padrão de energia elétrica no Brasil, o 110V e o 220V. Imagine que você more em um lugar onde só utilize o 110V e sempre que comprar eletrodoméstico vai pagar também por um conversor de voltagem. Na prática isso mostra que não são poucos os casos de consumidores que compraram um equipamento junto com seu eletrodoméstico e não usaram. É o mesmo caso de ter vários padrões nos documentos”, ressalta.

Na primeira etapa do processo da ISO, entretanto, não houve aprovação do OpenXML. O padrão não atingiu os 66,6% de votos favoráveis e menos de 25% de rejeição, conforme era necessário. A Microsoft, porém, não considera o resultado uma derrota, porque esta “não é uma etapa decisiva”, em sua avaliação.
Valeu ou não valeu ?

Tenho lido muita coisa equivocada sobre a validade do voto brasileiro no OpenXML e por este motivo, publico abaixo a explicação do voto dada pelo Sr. Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, Diretor de Normalização da ABNT (em resposta a uma jornalista que publicou ontem uma matéria que dizia que o voto brasileiro era inválido):

" Prezada Senhora,

Gostaria de esclarecer alguns pontos sobre a votação da proposta de norma sobre o OOXML (ISO/IEC DIS 29500), ocorrida na ISO.

Para aprovação de um documento, a ISO utiliza dois critérios, que devem ser atendidos simultaneamente:

a) Ter mais de 66,66% de votos “SIM” dos membros “P” votantes, não incluídas as abstenções; e
b) Não ter mais de 25% de votos “NÃO” do conjunto membros “P” + membros “O” votantes, não incluídas as abstenções.

O resultado da votação foi o seguinte:

a) Votantes membros “P”: 41
b) Abstenções membros “P”: 9
c) Votantes membros “P” válidos: 32
d) Votos “SIM” entre os membros “P” válidos: 17 (53,12%) - Desaprovada
e) Votantes membros “P” + membros “O”: 87
f) Abstenções membros “P” + membros “O”: 18
g) Votantes membros “P” + membros “O” válidos: 69
h) Votos “NÃO” entre os membros “P” + membros “O” válidos: 18 (26,08%) - Desaprovada

Há assim um engano em se dizer que o voto “NÃO” do Brasil não foi validado (sic), pois ele foi contabilizado no critério de não ter mais de 25% de votos “NÃO”.

Mesmo que a porcentagem de votos “SIM” dados pelos membros “P” fosse maior que 66,66%, a proposta poderia ser rejeitada por apenas um único voto “NÃO” de um membro “O”. Pode-se observar pelo resultado que uma mudança de um voto de membro “O” de “NÃO” para “SIM” seria suficiente para o resultado passar de 26,08% para 24,63%.

Finalmente, não existe na ISO a quantificação de votos “SIM” entre os membros “P” + membros “O”, nem o valor de 75,01% para qualquer critério de análise.

Espero ter colaborado na elucidação do assunto.

Atenciosamente,

Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone
Diretor de Normalização"


São estes os fatos...
A pergunta que não quer calar

Desde que vi o resultado da votação na ISO, fiquei com uma dúvida gigantesca:



Será que o Borat participou do comitê no Cazaquistão ?

Aguardo os comentários com as opiniões...
Resultado da votação na ISO

Saiu o resultado da votação da proposta OpenXML na ISO. A proposta não foi aprovada, uma vez que não obteve os 2/3 dos votos válidos (excluindo o votos Abstain) dos membros P, que seriam necessários para sua aprovação.

Olhando em mais detalhes a votação, vimos que 17 países votaram YES ao OpenXML, e considerando que eram 32 votos válidos (os países que votaram Abstain não entram nesta conta), o percentual alcançado foi de 53%. Eram necessários 66,66%. Pesquisando a Internet identificamos os países, membros P, que votaram YES, que foram Azerbaijão, Costa do Marfim, Chipre, Alemanha, Jamaica, Cazaquistão, Quenia, Libano, Malta, Paquistão, Arábia Saudita, Singapura, Suíça, Turquia, Uruguai, EUA e Venezuela.

Houveram 19 votos negativos, que de um total de 69 votos (contam-se todos neste caso, membros O e P), nos dá um percentual foi 26%. Seriam necessários 25% de votos negativos. Os países que votaram NO foram Brasil, Canadá, China, República Theca, Dinamarca, Equador, França, India, Iran, Irlanda, Japão, Coréia, Nova Zelândia, Noruega, Filipinas, África do Sul, Tailândia, Reino Unido e Cuba.

Muito países optaram por Abstain, como Argentina, Austrália, Bélgica, Chile, Finlândia, Holanda, Israel, Itália, México e outros.

O resultado final foi “disapproved”. Ficou claro que muitos países da comunidade internacional, como o Brasil, reconheceram que o OpenXML ainda precisa ser muito melhorado para alcançar o status de padrão aberto...
Para quem ainda pensa que é implicância...

Encontrei um excelente relatório demonstrando algumas das inconsistências encontradas no OpenXML e o Office 2007 e confesso que fiquei assustado com os resultados ali demonstrados.

São todos testes simples de serem executados, mas que demonstram problemas que considero extremamente graves no padrão (como por exemplo o arredondamento automático de números digitados... como será que fica isso em um projeto de engenharia, ou em uma planilha de cálculo financeiro).

O relatório pode ser encontrado aqui e é bem extenso, mas vale a pena a leitura.
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